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Fenart: Paraíba recebe o melhor da arte nacional
São mais de 160 atrações, de várias partes do país, ocupando cerca de 10 equipamentos culturais em 53 mil metros quadrados de área coberta, durante sete dias consecutivos de evento, entre os dias 23 e 29 de maio, em João Pessoa, na Paraíba.
O Festival Nacional de Arte (Fenart) é impressionante em sua proposta, extensão e diversidade. Realizado desde 1994 pelo Governo do Estado, através da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), o Fenart agrega as mais diversas vertentes da arte e da cultura brasileira, integrando paraibanos com artistas de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, entre outros Estados.
Em sua 13ª edição, um evento desta magnitude prestará uma bela e justa homenagem a um dos maiores artistas nascidos na Paraíba: Severino de Oliveira (1930-2006), o querido Sivuca, que faria 80 anos na próxima quarta-feira, 26 de maio. A data será lembrada ao longo dos sete dias de festival, em especial, na abertura, que acontece neste domingo (23).
Velho conhecido de Sivuca, Hermerto Pascoal volta a João Pessoa para homenagear o parceiro paraibano. “Sivuca dizia que Hermeto era o Beethoven do século 20”, recorda a compositora paraibana Glória Gadelha, esposa de Sivuca por 32 anos, até a morte dele, em dezembro de 2006. “Juntos, os dois fizeram belas canções e se apresentaram em shows”, completa.
Sivuca e Hermeto dividiram mais do que a música e o palco. “Era frequente as pessoas confundirem Sivuca com Hermeto e vice-versa”, lembra Glorinha, como é tratada com carinho pelos fãs. “Hermeto brincava, dizendo que, ao acordar, se olhava no espelho e dizia: \'Bom dia Sivuca\', assim como Sivuca, ao acordar, se olhava no espelho e dizia: \'Bom dia Hermeto’”, revela.
Três anos e meio após a morte de Sivuca, Hermeto se une à Orquestra Sinfônica da Paraíba para prestar um justo tributo ao maestro, arranjador e compositor, nascido em Itabaiana. O concerto está marcado para às 20 horas na Praça do Povo do Espaço Cultural, com entrada gratuita ao público.
Conduzida pelo maestro-titular Marcos Arakaki, a Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB) abre o concerto com peças de Arturo Márquez (“Danzon nº 2”), Bizet (“Toreador”, extraído da ópera “Carmen”), Mestre Duda (“Seleção Luiz Gonzaga”) e Lorenzo Fernández (“Batuque”).
Na sequência, Hermeto mostra três números solos. Ou quase solo. O alagoano desembarca por aqui com o percussionista Fábio Pascoal e com a cantora Aline Morena, com quem já gravou dois discos. Levam ao palco “Mundo verde esperança”, “Suíte pixotinha” e uma surpresa que promete ser uma bela homenagem à Sivuca na voz de Aline.
Para encerrar o concerto, Sinfônica da Paraíba e Hermeto executam quatro obras do repertório de Sivuca: “Moto Perpétuo”, peça de Paganini arranjada pelo homenageado; “Rapsódia Gonzagueana”, do próprio Sivuca; “Feira de Mangaio” e “A doce canção de Nélida”, ambos fruto de uma parceria de Sivuca com Glorinha Gadelha.
Abertura solene
Antes do concerto principal, uma solenidade no prestigiado Teatro Paulo Pontes, no próprio Espaço Cultural, dará início à edição 2010 do Fenart. Marcada para às 19 horas, o evento contará como o governador José Targino Maranhão, o presidente da Funesc, Maurício Burity, membros do primeiro escalão do governo, parlamentares, produtores e agentes culturais, jornalistas, blogueiros e formadores de opinião.
No palco do Paulo Pontes, a cantora lírica e vice-presidente da Funesc, Ana Gouveia, fará as honras da casa, cantando o Hino Nacional Brasileiro. Em seguida, o maestro Marcos Arakaki irá reger um número musical baseado na famosa “As Quatro Estações”, de Vivaldi. Nela, uma orquestra de câmara formada por músicos da Sinfônica Paraibana irão acompanhar bailarinos da Escola de Dança da Funesc, um recital com o trovador Oliveira de Panelas e o solista da noite Rucker Bezerra, violinista da OSPB.
Enquanto a solenidade acontece no Paulo Pontes, tem início a Feira de Livros do Fenart e a Exposição de Xilogravura em Cordel do artista pernambucano Marcelo Alves, ambas abertas ao público na Praça do Povo do Espaço Cultural.
Após a solenidade, será a vez do concerto de Hermeto com a Sinfônica da Paraíba e depois do concerto, a noite termina ao som da Orquestra Philarmônica da Polícia Militar, seguida pelo show da big band paraibana Toque de Vida, ambas ainda na Praça do Povo.
“Este Fenart será um Fenart bastante especial”, declarou Maurício Burity, presidente da Funesc que promove o evento. “E com quase o dobro de atrações do Fenart anterior, tenho certeza que iremos ter um recorde de público no festival”, acrescenta.
Cidade cenográfica
Uma cidade cenográfica foi erguida na Praça do Povo do Espaço Cultural para receber o público do festival. Quem já passou por Itabaiana (70km), vai reconhecer a Igreja da cidade e o coreto, erguidos com a finalidade de homenagear, também, a cidade onde Sivuca nasceu.
O acesso ao Espaço Cultural é gratuito ao público. Shows de Lenine, João Bosco e Frejat, por exemplo, têm entrada livre, assim como feira de livro, exposições, mostras e espetáculos no Palco Principal, no Palco 2 e no Teatro de Arena.
Apenas a entrada no cine-teatro Bangüê e no Teatro Paulo Pontes será cobrada, já que esses espaços tem um número limitado de cadeiras. O ingresso custa simbólicos R$ 4 por sessão.
Hermeto Pascoal já morou em João Pessoa
Nascido em Olho d´Água e criado em Lagoa da Canoa, na época município de Arapiraca, estado de Alagoas, em 22 de junho de 1936, Hermeto Pascoal é filho de Vergelina Eulália de Oliveira (dona Divina) e Pascoal José da Costa (seu Pascoal). Foi no seu alistamento militar que colocaram o pré nome de seu pai como seu sobrenome.
Os sons da natureza o fascinaram desde pequeno. A partir de um cano de mamona de "gerimum" (abóbora), fazia um pífano e ficava tocando para os passarinhos. Ao ir para a lagoa, passava horas tocando com a água. O que sobrava de material do seu avô ferreiro, ele pendurava num varal e ficava tirando sons. Até o 8 baixos de seu pai, de sete para oito anos, ele resolveu experimentar e não parou mais. Dessa forma, passou a tocar com seu irmão mais velho José Neto, em forrós e festas de casamento, revezando-se com ele no 8 baixos e no pandeiro.
Mudou-se para Recife em 1950, e foi para a Rádio Tamandaré. De lá, logo foi convidado, com a ajuda do Sivuca (sanfoneiro já de sucesso), para integrar a Rádio Jornal do Commercio, onde José Neto já estava. Formaram o trio "O Mundo Pegando Fogo" que pegou fogo mesmo já na primeira vez em que tocaram, pois, segundo Hermeto, ele e seu irmão estavam apenas começando a tocar sanfona, ou seja, eles só tocavam mesmo 8 baixos até então.
Porém, por não querer tocar pandeiro e sim sanfona, foi mandado para a Rádio Difusora de Caruaru, como refugo, pelo diretor da Rádio Jornal do Commercio, o qual disse-lhe que "não dava para música". Ficou nessa rádio em torno de três anos. Quando Sivuca passou por lá, fez muitos elogios sobre o Hermeto ao diretor dessa rádio, o Luis Torres, e Hermeto, por conta disso, logo voltou para a Rádio Jornal do Commercio, em Pernambuco, ganhando o que havia pedido, a convite da mesma pessoa que o tinha mandado embora. Ali, em 1954, casou-se com Ilza da Silva, com quem viveu 46 anos e teve seis filhos: Jorge, Fabio, Flávia, Fátima, Fabiula e Flávio. Foi nessa época também que descobriu o piano, a partir de um convite do guitarrista Heraldo do Monte, para tocar na Boate Delfim Verde. Dali, foi para João Pessoa, PB, onde ficou quase um ano tocando na Orquestra Tabajara, do maestro Gomes.
Em 1958, mudou-se para o Rio para tocar sanfona no Regional de Pernambuco do Pandeiro (na Rádio Mauá) e, em seguida, piano no conjunto e na boate do violinista Fafá Lemos e, em seguida, no conjunto do Maestro Copinha (flautista e saxofonista), no Hotel Excelsior.
Atraído pelo mercado de trabalho, transferiu-se para São Paulo em 1961, tocando em diversas casas noturnas. Depois de um tempo, formou, juntamente com Papudinho no trompete, Edilson na bateria e Azeitona no baixo, o grupo SOM QUATRO. Foi aí que começou a tocar flauta. Com esse grupo gravou um lp. Em seguida, integrou o SAMBRASA TRIO, com Cleiber no baixo e Airto Moreira na bateria. No disco do Sambrasa Trio, Hermeto já registrou sua música "Coalhada".
Com o florescimento dos programas musicais de TV, criaram o QUARTETO NOVO, em 1966, sendo Hermeto no piano e flauta, Heraldo do Monte na viola e guitarra, Théo de Barros no baixo e violão e Airto Moreira na bateria e percussão. O grupo inovou com sua sonoridade refinada e riqueza harmônica, participando dos melhores festivais de música e programas da TV Record, representando o melhor da nossa música. Nessa época, venceram um dos festivais com "Ponteio", de Edu Lobo. Além disso, Hermeto ganhou várias vezes como arranjador. No ano seguinte gravou o LP QUARTETO NOVO, pela Odeon, onde registrou suas composições O OVO e CANTO GERAL.
Em 1969, a convite de Flora Purim e Airto Moreira, viajou para os EUA e gravou com eles 2 LPs, atuando como compositor, arranjador e instrumentista. Nessa época, conheceu Miles Davis e gravou com ele duas músicas suas: "Nem Um Talvez" e "Igrejinha". De volta ao Brasil, gravou o lp "A MÚSICA LIVRE DE HERMETO PASCOAL", com seu primeiro grupo, em 1973.
Em 1976, retornou aos EUA, gravou o "SLAVES MASS" e realizou mais alguns trabalhos com Airto e Flora.
Com o nome já reconhecido pelo talento, pela qualidade e por sua criatividade, tornou-se a atração de diversos eventos importantes, como o I Festival Internacional de Jazz, em 1978, em São Paulo. No ano seguinte, participou do Festival de Montreux, na Suíça, quando é editado o álbum duplo HERMETO PASCOAL AO VIVO, e seguiu para Tóquio, onde participou do LIVE UNDER THE SKY. Lançou o CÉREBRO MAGNÉTICO em 1980 e multiplica suas apresentações pela Europa.
Em 1982, lançou, pela gravadora Som da Gente, o lp HERMETO PASCOAL& GRUPO. Em 1984, pelo mesmo selo, gravou o LAGOA DA CANOA, MUNICÍPIO ARAPIRACA, onde registrou pela primeira vez o SOM DA AURA com os locutores esportivos Osmar Santos (Tiruliru) e José Carlos Araújo (Parou, parou, parou). Esse disco também foi em homenagem à sua cidade, que se elevou, então, à categoria de município e conferiu-lhe o título de Cidadão Honorário. Em 1986, o BRASIL UNIVERSO, também com seu grupo.
Compôs ainda a SINFONIA EM QUADRINHOS, apresentando-se com a Orquestra Jovem de São Paulo. Em seguida, foi para Kopenhagen, onde lançou a SUITE PIXITOTINHA, que foi executada pela Orquestra Sinfônica local, em concerto transmitido, via rádio, para toda a Europa.
Em 1987, lançou mais um LP: o SÓ NÃO TOCA QUEM NÃO QUER, através do qual o músico homenageia jornalistas e radialistas, como reconhecimento pelo seu apoio ao longo da carreira. Em 1989, fez seu primeiro disco de piano solo, o lp duplo POR DIFERENTES CAMINHOS.
Em 1992, já pela Philips, gravou com seu grupo o FESTA DOS DEUSES. Depois do lançamento, viajou à Europa para uma série de concertos na Alemanha, Suíça. Dinamarca, Inglaterra e Portugal.
Em março de 1995, apresentou uma Sinfonia no Parque lúdico do Sesc Itaquera, em SP, utilizando os gigantescos instrumentos musicais do parque. No mesmo ano foi a convite da Unicef para Rosário, Argentina, onde apresentou-se para 2.000 crianças, sendo que seu grupo entrou para tocar dentro da piscina montada no palco a pedido dele.
De 23 de junho de 1996 a 22 de junho de 1997, registrou uma composição por dia, onde quer que estivesse. Essas composições fazem parte do CALENDÁRIO DO SOM, lançado em 1999 pela editora Senac/ SP.
Em 1999 lançou o CD EU E ELES, primeiro disco do selo Mec, no Rio de Janeiro.
Nesse CD produzido por seu filho Fábio Pascoal, Hermeto toca todos os instrumentos.
Em 2003, lançou, com seu grupo, o cd MUNDO VERDE ESPERANÇA, também produzido por Fábio.
Em outubro de 2002, quando foi dar um workshop em Londrina, PR, conheceu a cantora Aline Morena e convidou-a para dar uma canja no dia seguinte com o seu grupo em Maringá, PR. Em seguida ela foi para o Rio com ele e, no final de 2003, Hermeto passou a residir em Curitiba, PR, com ela. Assim, passou a dar-lhe noções de viola caipira, piano e percussão e, em março de 2004 estreou no Sesc Vila Mariana a sua mais nova formação: o duo "CHIMARRÃO COM RAPADURA" (gaúcha com Alagoano), com Aline Morena.
Em abril de 2004, embarcou para Londres para o terceiro concerto com a Big Band local, sendo que o primeiro já havia sido considerado o SHOW DA DÉCADA. Em seguida realizou mais alguns shows solo em Tóquio e Kyoto.
Em 2005 gravou o CD e o DVD "CHIMARRÃO COM RAPADURA", com Aline Morena, além de realizar duas grandes turnês com seu grupo por toda a Europa. O cd e o dvd de Hermeto Pascoal e Aline Morena foram lançados de maneira totalmente independente em 2006.
Atualmente, Hermeto Pascoal apresenta-se com cinco formações: Hermeto Pascoal e Grupo, Hermeto Pascoal e Aline Morena, Hermeto Pascoal Solo, Hermeto Pascoal e Big Band e Hermeto Pascoal e Orquestra Sinfônica. Diz ele que, por enquanto, é só!! Esse é o nosso "CAMPEÃO"!!!
Obs. Público, shows e discos têm todos a mesma importância para o Hermeto. Não há melhor público, nem melhor show, nem melhor disco. São todos filhos muito amados por ele. Portanto, o que foi mencionado nessa biografia refere-se apenas a um resumo dos fatos que foram lembrados.
Novo CD de Hermeto e Aline: Bodas de Latão!
Hermeto Pascoal e Aline Morena completam sete anos juntos! E para comemorar, a dupla está lançando o cd "Bodas de Latão" em shows com o mesmo nome! A turnê de lançamento passará por Caracas, na Venezuela, Sescs do Rio, Espírito Santo, Curitiba, SP... (conforme agenda dos sites www.hermetopascoalealinemorena.com.br e este site).
Eles estrearam como duo em 2004, com o show "O Som Nosso de Cada Um". Em 2006 lançaram seu primeiro cd e dvd juntos, chamado “Chimarrão com Rapadura, sendo que o dvd ficou entre os dez melhores no mundo em 2007. Já o novo cd contará com 19 faixas, sendo duas multimídia!
O show, assim como o cd, conta com músicas novas e antigas do Hermeto, além de uma música do Piazzolla e alguns clássicos do folclore gaúcho! A maior parte das músicas são de autoria do próprio Hermeto, mas a Aline participa com algumas letras e como compositora em uma música!
O show conta com a voz, o piano, a viola caipira,o violão, a zabumba e a percussão corporal de Aline Morena e o cavaquinho, o piano, a viola caipira, o trompete, as flautas, o berrante, a escaleta, o oito baixos... de Hermeto Pascoal, além de um palco recheado de instrumentos alternativos como piscina, bacias, chocalhos de boi, bonequinhos, saia de alumínio, vestido de copos de iogurte...
O público continua fazendo parte do show, cantando com eles melodias sem letra e até a poesia universal criada pelo Hermeto e recitada ou cantada pela Aline. É um show de Música Universal, vai do mais regional ao mais contemporâneo, do complexo ao simples, e vice-versa, misturando diferentes ritmos e estilos com muito bom gosto!
O show modifica-se à cada apresentação. É portanto, repleto de surpresas sonoras, inclusive para eles mesmos, que são espontâneos e intuitivos. Nesse show, o SOM sempre fala mais alto!.
(*) Texto da Assessoria de Imprensa do artista
Sivuca, o músico que revelou a universalidade da música nordestina
O homenageado do 13º Fenart é o multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor, orquestrador e compositor Sivuca, que contribuiu significativamente para o enriquecimento da música brasileira ao revelar a universalidade da música nordestina e a nordestinidade da música universal. É reconhecido mundialmente por seu trabalho. Suas composições e trabalhos incluem, dentre outros ritmos, choros, frevos, forrós, baião, música clássica, blues, jazz, entre muitos outros.
Severino Dias de Oliveira nasceu em uma família de sapateiros e agricultores em Itabaiana, pequeno município da Paraíba. Começou a tocar sanfona aos nove anos de idade, em feiras e festas populares. Aos 15, mudou-se para Recife, onde trabalhou na Rádio Clube de Pernambuco e recebeu o apelido de Sivuca.
Em 1948 tornou-se aluno do maestro Guerra Peixe e foi contratado pela Rádio Jornal do Comércio. Dois anos depois, em parceira com Humberto Teixeira, gravou o seu primeiro disco, pela Continental, que incluía a música "Adeus, Maria Fulô".
Em abril de 1955, Sivuca foi morar no Rio de Janeiro. Durante três anos foi artista contratado da Rádio e TV Tupi. Em 1958, depois de várias apresentações na Europa, decidiu morar em Lisboa. No ano seguinte foi trabalhar em Paris (França), onde permaneceu quatro anos.
Em 1964, Sivuca mudou-se para Nova York (Estados Unidos), onde assumiu a direção musical das gravações da cantora africana Miriam Makeba. Excursionou pelo mundo e gravou na Suécia e no Japão. Retornando aos EUA, criou músicas para filmes e realizou projetos com músicos como Hermeto Pascoal e Paul Simon, entre outros.
Em 1970, Sivuca passou a trabalhar como músico de Harry Belafonte, com quem tocou até julho de 1976. Nessa época, ao lado de Hermeto Pascoal, Flora Purim e Airton Moreira, gravou o LP “Natural Feelings”.
Em 1973, fez a trilha sonora de seis filmes de curta metragem sobre Pelé e o futebol brasileiro. Este trabalho lhe rendeu uma indicação ao Grammy e um prêmio da União Soviética. Em 1975, ele participou do antológico solo improvisado no LP do Paul Simon.
Ainda em 1976, Sivuca retornou ao Brasil e iniciou uma série de shows pelo país. Em 81 e 82 compôs e gravou trilhas sonoras para os filmes “Os Trapalhões e a Serra Pelada” e “Os Vagabundos Trapalhões”. Ao longo dos próximos anos, Sivuca gravou vários álbuns, escreveu peças sinfônicas e fez vários shows, inclusive com o músico Baden Powell.
Nos anos 2000, desenvolveu uma série de projetos no Nordeste. Em 2005, gravou com o quinteto de cordas Uirapuru, da Paraíba, o CD “Sivuca e Quinteto Uirapuru”, vencedor do Prêmio Tim de Música, juntamente com o CD “Cada Um Belisca Um Pouco”, que Sivuca fez com Dominguinhos e Oswaldinho do Acordeon.
Um dos discos mais emblemáticos da carreira do artista é o "Sivuca Sinfônico" (Biscoito Fino, 2006), em que ele toca ao lado da Orquestra Sinfônica do Recife sete arranjos orquestrais de sua autoria, um registro inédito, único e completo de sua obra erudita. As composições sinfônicas de Sivuca são absolutamente singulares na música erudita brasileira, porque o artista inseriu a sanfona como o instrumento principal de sua obra.
Em 2006, o músico lançou o DVD “Sivuca – O Poeta do Som”, que contou com a participação de 160 músicos convidados. Foram gravadas 13 faixas, além de duas reproduzidas em parceria com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.
Sivuca foi casado com a compositora Gloria Gadelha, com quem desenvolveu um vasto trabalho, com destaque para o forró "Feira de Mangaio". Outras parcerias bem-sucedidas foram "João e Maria", com Chico Buarque, e "No Tempo dos Quintais" e "Cabelo de Milho", ambas com Paulo Tapajós.
Após lutar contra um câncer na laringe, Sivuca morreu aos 76 anos, em 14 de dezembro de 2006, depois de dois dias internado.
Discografia:
* Motivo para Dançar (Copacabana, 1956)
* Motivo para Dançar Nº 2 - Sivuca e Seu Conjunto (Copacabana, 1957)
* Rendez-vous a Rio (1965)
* Golden Bossa Nova Guitar (1968)
* Sivuca (1968)
* Putte Wickman & Sivuca (1969)
* Sivuca (1969)
* Joy - Trilha Sonora do Musical - Oscar Brown Jr. / Jean Pace / Sivuca (RCA, 1970)
* Sivuca (Vanguard/Copacabana, 1972)
* Live at the Village Gate (Vanguard/Copacabana, 1973)
* Sivuca e Rosinha de Valença Ao Vivo (RCA, 1977)
* Sivuca (Copacabana, 1978)
* Forró e Frevo (Copacabana, 1980)
* Cabelo de Milho (Copacabana, 1980)
* Forró e Frevo Vol. 2 (Copacabana, 1982)
* Vou Vida Afora (Copacabana, 1982)
* Onça Caetana (Copacabana, 1983)
* Forró e Frevo Vol. 3 (Copacabana, 1983)
* Forró e Frevo Vol. 4 (Copacabana, 1984)
* Sivuca & Chiquinho Do Acordeon (Barclay, 1984)
* Som Brasil (1985)
* Chiko\'s Bar – Toots Thielemans & Sivuca (1986)
* Rendez-Vous in Rio - Sivuca / Toots Thielemans / Silvia (1986)
* Sanfona e Realejo (3M, 1987)
* Let\'s Vamos - Sivuca & Guitars Unlimited (1987)
* Um Pé No Asfalto, Um Pé Na Buraqueira (Copacabana/CBS, 1990)
* Pau Doido (1993)
* Enfim Solo (1997)
* Cada um Belisca um Pouco - Sivuca / Dominguinhos / Oswaldinho (Biscoito Fino, 2004)
* Sivuca Sinfônico - Sivuca / Orquestra Sinfônica do Recife (Biscoito Fino, 2006)
* Sivuca e Quinteto Uirapuru - Sivuca / Quinteto Uirapuru (Kuarup, 2004)
* Terra Esperança (Kuarup, 2007)
Assessoria de Imprensa da Funesc
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