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Saúde

14/05/2019 às 13h15 - atualizada em 14/05/2019 às 13h21

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da Redação

João Pessoa / PB

Equipamento adquirido pelo Hospital Laureano deverá gerar despesa anual de mais de R$ 1 milhão, revela estudo
Presidente Carneiro Arnaud insiste em adquirir equipamentos para diagnóstico enquanto pacientes morrem sem medicamentos
Equipamento adquirido pelo Hospital Laureano deverá gerar despesa anual de mais de R$ 1 milhão, revela estudo
Presidente da Fundação Laureano, médico Carneiro Arnaud

 


“O que era sonho se tornou realidade. O Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, referência no tratamento do câncer na Paraíba, vai ganhar um PET Scan”. Diz a abertura de uma matéria jornalística da assessoria do ex-senador Raimundo Lira (PSD), que durante seu mandato conseguiu assegurar, no orçamento da União, os recursos necessários para a compra do equipamento.


Mas esse sonho poderá se tornar um pesadelo, uma vez que o custo anual para manter esse equipamento chega a mais de R$ 1 milhão e é público e notório que o Hospital Napoleão Laureano passa por uma das maiores crises financeira e administrativa de toda a sua história.]


 


O PET Scan, que significa tomografia por emissão de pósitrons (Positron Emission Tomography), é um equipamento para diagnosticar por imagem e  mapear as diferentes substâncias químicas radioativas no organismo.


O anúncio foi feito no último dia 25 de março pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em visita à Paraíba. Ele assinou, no Hospital Napoleão Laureano, a portaria liberando R$ 5 milhões para a compra do PET-Scan.


 


Em 2017 começou a luta do então senador Lira para conseguir a compra do equipamento, que atenderia pacientes do SUS, ou seja, a população carente da Paraíba, uma vez que um exame desse tipo chega a custar até R$ 6 mil. Mas um estudo, solicitado pelo então diretor geral do Hospital Napoleão Laureano, advogado e executivo Ivo Sérgio Borges da Fonseca, em junho de 2016, mostra a inviabilidade da aquisição do equipamento para o hospital.


 


 A reportagem do FATOSPB teve acesso, com exclusividade, ao levantamento minucioso que a COP Soluções Empresariais, empresa especializada em estudos de viabilidade, fez para saber a possibilidade da implantação da Tomografia por Emissão de Pósitrons, PET-CT ou PET Scan, no Hospital Napoleão Laureano,


Incluindo custos, formação de receitas e outras considerações.


 


Trata-se de procedimento autorizado pelo Ministério da Saúde, através da Portaria nº 1.340, de 01 de dezembro de 2014, com efeitos operacionais a partir da competência seguinte à sua publicação.


 


As obrigações acessórias à instalação e funcionamento do equipamento,  assim como os dados apresentados na análise foram obtidos de estudos da base de clientes em operação da COP e da Scielo - The Scientific Electronic Library Online - como base teórica para estudo de caso.


 


A metodologia utilizada previu os custos diretos da operação do centro produtivo e repasse dos custos internos, proporcionais aos ativos totais em atividade, tratados de forma unificada. Para o estudo em tela, o valor do ativo é composto pelo equipamento e pelos insumos duráveis necessários. (computadores, softwares com licença permanente, estação de rede e de trabalho, mobiliário, câmara plumbífera, maca, poltrona, enxoval, phanton, dosímetros, equipamentos de radiofármacia, estoque inicial de materiais e medicamentos)


 


 De acordo com o diretor da empresa, Eduardo Cop, as receitas foram projetadas com bases nos valores da tabela SUS, presente na Portaria nº 1.340, de 01 de dezembro de 2014, do Ministério da Saúde, e nos valores médios praticados pelas operadoras da saúde suplementar. Os valores utilizados na análise foram ponderados na proporção das receitas apresentadas no balanço 2015 (SUS 75% / Operadoras 25%).


 


“O estudo revela que trata-se de um procedimento de alto custo, dependente da utilização de fármaco de valor elevado, de baixíssima vida útil, disponível com regularidade nas praças de Salvador (BA) e Brasília (DF); requer autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (anexa) e contratação de profissional Físico Nuclear como responsável técnico”, explica o diretor.


 


“O frete também custoso, com limitação de quantidade no transporte aéreo e terrestre (5 doses por aeronave/veículo) é restrito a empresas autorizadas, com autorização especial para liberação rápida e garantir a utilização do fármaco no tempo estimado e evitar sua perda”, revela o estudo.


 


Mas isso não é tudo, o equipamento, de acordo com o levantamento da COP, deve contar ainda com contrato de manutenção preventiva e corretiva para assegurar a continuidade do atendimento e que inclua a reposição de peças, devido ao seu alto custo.


 


A equipe de profissionais alocada no estudo prevê atendimento 5 dias por semana e é composta por 1 recepcionista, 2 técnicos de enfermagem, 1 enfermeiro de nível superior, 2 técnicos de radiologia, 1 médico nuclear e 1 físico nuclear. O médico nuclear tem sua remuneração baseada nos laudos dos exames.


 


O estudo finaliza mostrando os resultados apresentados com base em 40 procedimentos mensais, mostrando a operação como deficitária, gerando um desencaixe, somente no primeiro ano, no valor de R$ 1.003.881,91, valor este que considera 100% de aproveitamento nos fármacos adquiridos.  


 


Mesmo em posse desse documento, o presidente da Fundação Laureano, médico Antonio Carneiro Arnaud, continua preferindo apostar em equipamentos de diagnóstico da doença, quando o principal foco do hospital é o tratamento. O próprio Conselho Regional de Medicina constatou, recentemente, que faltam medicamentos para tratamento do câncer e equipamentos chamados de “aceleradores lineares” para o tratamento da doença pela radioterapia.


 

FONTE: Redação Fatospb

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