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Brasil

23/05/2019 às 10h57

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da Redação

João Pessoa / PB

Motivos para cuidarmos das nossas vidas (apenas)
O mundo está cheio de analistas comportamentais por todo lado

Como encontrar uma forma elegante para falar dos outros sem a permissão deles? Os bons modos ainda não permitem nenhuma fórmula, por mais educada ou despretensiosa que pareça ser, que desabone a vida alheia. Mas o mundo está cheio de analistas comportamentais por todo lado. Temos especialistas na área da especulação, quase antropólogos, sociólogos, que analisam com precisão o tamanho da saia da filha da vizinha, o jeito deslocado do menino que passa à porta ou a forma como a cunhada da comadre trata todos os homens que a cumprimentam. Ainda há os matemáticos que se esmeram nos cálculos para saberem como o salário de alguém consegue o milagre de comprar tanta coisa que, para alguns olhos, é dispensável e até ostentação.


Invadir a vida alheia vai além da falta de educação, pode ser considerado como um estupro moral. Ninguém possui o direito de julgar o outro nem de lhe dizer o que está correto ou errado, salvo os casos em que a amizade – a verdadeira – permite tal invasão, mas os casos de amigos verdadeiros sempre são intervenções necessárias.


Uma difamação, calúnia ou um simples comentário maldoso pode ferir de morte a alma de alguém. Poucos sabem quantas lágrimas já foram derramadas, famílias destruídas e até vidas ceifadas causadas apenas pela irresponsabilidade de alguém que não se conteve em viver apenas sua própria vida e satisfez-se querendo ser juiz ou péssimo assessor de imprensa do outro.


Há pessoas que se tornaram inseguras para sempre por medo da violência da difamação. Já vi muitos não levantarem mais o rosto em meio ao mundo e passar a ignorar qualquer mão que se estenda, e, por medo dos maus, rejeitar os bons também. Pessoas que se tornaram depressivas porque ficaram ensopadas do veneno dos outros.


Mas a fofoca é o único caso do mundo em que o juiz está sempre errado, pois a lei da vida íntegra não permite avaliações de quem não temos nada a ver. O réu, por mais que esteja errado, estará sempre protegido sob a recomendação de que todos nós somos inocentes até que se prove o contrário e, no final, o único juiz digno é Deus.


Aos que se sentem dentro de um grande ‘big brother’ humano, recomendo beberem da mesma fonte do poeta Belchior quando diz: ‘Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho, deixem que eu decido a minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração’. Sendo assim, viva, ame, lute, sonhe, e ignore todos que olharem para você como tolo ou errado, pois errados são aqueles que não conseguem superar a frustração de serem insuficientes de si mesmo, pois só quem vive na infelicidade de dentro do coração que precisa sair para julgar o resto do mundo.


 


José Geraldo Fernandes Neto

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J.G Fernandes

J.G Fernandes

Blog/coluna José Geraldo Fernandes Neto é natural de Pilões, localizado a 117 quilômetros de João Pessoa/PB. Escreve desde 2013 textos que variam entre críticas sociais, poesias, motivação, política, entre outros. Formado no Curso de Letras da UEPB, escreveu o o prefácio do livro de crônicas Relicário, da autora Aninha Ferreira. Também escreve textos por encomenda para prefácios de dissertações e outros trabalhos acadêmicos. “Escrever é a arte que mais me satisfaz“
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